Comissão pela revitalização das lagunas é formada durante reunião

Representes de organizações discutiram o problema que tem ocasionado mortandades de diversos animais

A situação do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMM) é agravada durante o período de chuvas, principalmente por causa das condições de saneamento dos municípios localizados nas margens das duas lagunas, além da quantidade de ocupações desordenadas ou irregulares. Uma Comissão formada por sete entidades públicas e da sociedade civil foi formada, na manhã dessa sexta-feira (21), para buscar uma solução para o problema.

Durante reunião realizada, na sede da Colônia de Pescadores de Marechal Deodoro, nessa sexta-feira (21), representantes de diversas organizações estiveram presentes para tratar do assunto que tem deixado a todos preocupados, principalmente os pescadores e pescadoras que vivem da extração de animais das lagunas.

Entre os presentes estavam os representantes do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Conselho do CELMM, Chefia da Área de Proteção Ambiental (APA) de Santa Rita, Prefeitura de Marechal Deodoro, Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Federação dos Pescadores de Alagoas (Fepeal), Colônia de pescadores de Marechal Deodoro e Assembléia Legislativa (ALE).

O professor e pesquisador Ruberto Fragoso, da Ufal, fez uma apresentação prévia sobre a recente mortandade de peixes que ocorreu na Laguna Manguaba e que motivou a reunião.

Ele disse que recentemente, durante dois dias, houve um aumento na intensidade do vento Nordeste que gerou pequenas ondas que por sua vez revolveram o fundo lagunar. Houve também o aumento no volume de águas dos rios Paraíba e Sumamúma. Dessa forma, quando os ventos revolveram o fundo, eles colocaram matéria orgânica em suspensão e os rios forneceram ainda mais matéria orgânica.

Essa matéria orgânica suspensa, por sua vez, começa a ser degradada por organismos que consomem o oxigênio. Segundo Ricardo César, coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA, “a degradação da matéria orgânica causou um consumo excessivo de oxigênio. Em alguns pontos o nível de oxigênio chegou a zero”.

O coordenador explicou ainda que são várias causas da mortandade e que “aconteceu na Manguaba porque o tempo de residência é muito maior que na Mundaú, a água demora 36 dias para percorrer a laguna”. Ele alertou ainda que a “tendência é que isso aconteça novamente”.

Por causa da recorrência dos problemas apontados foi formada a Comissão por representantes do IMA, BPA, Fepeal, Colônia, APA, ALE e Prefeitura de Marechal Deodoro. Ficou agendada uma reunião para o dia 30, mas que poderá ser adiantada. Na ocasião serão apontadas possíveis ações emergenciais, levantamentos dos estudos realizados em 2002 e uma audiência com o governador do Estado.

Mortandade
As equipes do IMA, das áreas de Fiscalização, Laboratório e Gerenciamento Costeiro, fizeram vistorias na Laguna Manguaba desde o registro da mortandade, no domingo (16). Amostras de água, sedimentos e animais mortos foram coletados na segunda-feira (17), quando técnicos percorreram o trecho entre a base do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), localizada próximo a Ponte Divado Suruagy – na Ilha de Santa Rita, até o canal maior da Laguna Manguaba, em Marechal Deodoro.

Durante o percurso os técnicos fizeram medições de Oxigênio, Salinidade, Saturação de Oxigênio, Temperatura e Sólidos Totais Dissolvidos. Em quatro pontos mais críticos foram feitas coletas de amostras: no início e no meio do canal, Laguna e rio Sumaúma. Foram coletados água, sedimentos e peixe para análise em laboratório.

Um dos aspectos que chamou a atenção é o nível de Oxigênio Dissolvido (OD) muito baixo em alguns pontos, chegando a oscilar entre 0.2 e 0.3, quando o índice ideal é a partir de 5mg/l. Os primeiros resultados serão divulgados a partir da próxima terça-feira (25).

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