Critérios de balneabilidade ajudam a definir piores e melhores praias de Alagoas

A equipe do Laboratório de Estudos Ambientais do IMA classificou 63 trechos monitorados entre bons, regulares, ruins e péssimos para banho

Clarice Maia

Por ser um Estado litorâneo, com forte apelo turístico e ocupação na região costeira, um dos grandes desafios para os gestores públicos é garantir as condições de balneabilidade para os usuários. Para dar uma ideia geral da situação em que as praias se encontram, o Laboratório de Estudos Ambientais do Instituto do Meio Ambiente (IMA) apresenta a classificação de 63 trechos de praias com o resultado encontrado em um ano inteiro de análises.

Foram avaliados 21 trechos no Litoral Norte, entre as praias de Paripueira e Maragogi; 22 no Litoral Sul, entre Marechal Deodoro e Piaçabuçu; e 20 em Maceió, entre os bairros do Pontal da Barra e Ipioca. A classificação final dos 63 pontos analisados ficou definida em: nove péssimos, sete ruins, oito regulares e 39 bons. Nenhuma praia foi definida como excelente.

A classificação seguiu a mesma utilizada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), no Relatório de Qualidade das Praias Litorâneas. As praias boas estão próprias em 100% das análises, as regulares foram impróprias em até 25% das vezes, as ruins deram impróprias entre 25% e 50% do tempo, e as péssimas em mais de 50% dos resultados.

Vista aérea da praia de Paripueira

No Litoral Sul está relacionada a maior quantidade de trechos classificados como bons: 18; enquanto três apareceram como péssimos: rios Niquim, na Barra de São Miguel, e São Francisco, em Piaçabuçu. No Litoral Norte foram registrados 13 pontos bons; três regulares, em Paripueira e Maragogi; três ruins, no Rio Tatuamunha ; e outros três péssimos, também em Maragogi.

Naquela região, a maior quantidade de praias péssimas, ruins e regulares aparece no município de Maragogi. “Há muita influência das fozes dos rios Salgado, Persinunga e Maragogi”, comentou Manoel Messias, gerente do Laboratório de Estudos Ambientais do IMA.

Já em Maceió oito trechos foram classificados como bons; quatro foram considerados regulares, estes estão situados no Pontal da Barra, Pajuçara e Jacarecica; cinco ruins, na Ponta Verde, Cruz das Almas e Pratagy; e três péssimos, na Avenida e Jatiuca.

“Podemos observar que as condições de balneabilidade estão sendo afetadas diretamente pela presença de rios e galerias de águas pluviais, um exemplo é a situação encontrada na praia da Avenida em Maceió, onde os piores pontos são os que estão localizados à jusante do Riacho Salgadinho”, disse Manoel Messias.

Ele disse ainda que a análise toma como base os resultados encontrados nas amostras coletadas, analisadas e divulgados semanalmente pelo IMA para a população, “o relatório de balneabilidade que inclusive qualquer pessoa pode ter acesso”, disse.

Condições de Balneabilidade
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Alagoas possui 27.848,158 Km². Com uma costa que atrai visitantes de diversos municípios do interior, outros Estados e países, possui 230 quilômetros de litoral.

Nessa região, a equipe do IMA realiza coleta semanal em 63 pontos, distribuídos nos 15 municípios que são limítrofes com o mar: Piaçabuçu, Feliz Deserto, Coruripe, Jequiá da Praia, Barra de São Miguel, Marechal Deodoro, Maceió, Paripueira, Barra de Santo Antônio, Barra de Camaragibe, São Miguel dos Milagres, Porto da Rua, Porto de Pedras, Japaratinga e Maragogi.

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As coletas realizadas pela equipe do Laboratório são feitas, semanalmente, no mesmo ponto, conforme o que recomenda a Resolução nº 274/2000 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Entretanto, “variações de ventos e chuvas, assim como as correntes marítimas, podem provocar alterações e variações nas condições de balneabilidade”, explica Ricardo César, coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA.

Ele disse ainda que “a recomendação para os usuários é que sejam evitadas as fozes de rios e galerias de águas pluviais, principalmente em dias de chuvas, quando as águas que lavam as cidades são carreadas para o mar, geralmente com certa quantidade de dejetos”.

A balneabilidade é o parâmetro que permite a recreação de contato primário ou o contato direto do usuário com os corpos de água como, por exemplo, as atividades de natação e mergulho. Os critérios são definidos pela Resolução do Conama, considerando as águas doces, salobras e salinas.

As praias são classificadas como próprias se em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, houver, no máximo 1000 coliformes fecais (termotolerantes) ou 800 Escherichia coli (E.coli) ou 100 enterococos por 100 mililitros de água. A variação entre excelente e satisfatória vai depender dos números registrados por amostra analisada.

As praias são consideradas impróprias, quando o trecho avaliado não atender aos critérios estabelecidos para as águas próprias; o valor obtido na última amostragem for superior a 2500 coliformes fecais (termotolerantes) ou 2000 Escherichia coli ou 400 enterococos por 100 mililitros; houver incidência elevada ou anormal, na região, de enfermidades transmissíveis por via hídrica.

Além disso, a presença de resíduos ou despejos, sólidos ou líquidos, inclusive esgotos sanitários, óleos, graxas e outras substâncias, capazes de oferecer riscos à saúde ou tornar desagradável a recreação; proliferação excessiva de algas ou outros organismos, até que se comprove que não oferecem riscos à saúde humana; entre outros.

Análises
A consolidação dos resultados é resultado de um avanço dado pelo Laboratório do IMA com a modificação do método utilizado para analisar as amostras. Em Janeiro de 2016, após um período de reformas e mudanças, as análises passaram a considerar não a quantidade de coliformes fecais encontrada, mas sim a presença da bactéria Escherichia coli (E.coli) nas amostras coletadas.

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Para a E.coli, a resolução 274/2000 do Conama, considera praias próprias para banho quando em 80% do conjunto de amostras, colhidas no mesmo no local, não exceder o limite de 800 NMP (Número Mais Provável) em cada 100mL de água.

A E.coli é uma bactéria presente no trato intestinal de animais de sangue quente, considerada patógeno, ou transmissora de doenças. Segundo Manuel Messias, “o método é mais eficaz e dá um resultado mais preciso sobre os níveis de contaminação de cada ponto”.

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