Peixes ameaçados de extinção são encontrados na Piscina do Amor, em Maceió

Área foi transformada em zona de exclusão para diversos tipos de usos em junho de 2015

Elayne Pontual

Três espécies ameaçadas de extinção foram identificadas por técnicos do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL) e professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) durante ações de monitoramento na Piscina do Amor, localizada na enseada a Pajuçara, em Maceió. A área, que foi transformada em zona de exclusão para diversos tipos de usos em 2015, tem sido um suporte à reprodução e alimentação da maioria dos organismos marinhos encontrados na região.

Antes comuns nos recifes alagoanos, o Mero, o Neon e o Grama Brasileiro, espécies encontradas pela equipe, foram pescados até a sua quase extinção dos recifes costeiros e piscinas naturais de todo o Brasil. “Sem peixes adultos para desovar e repovoar as áreas de pesca e turismo, o prejuízo só tende a aumentar com o passar dos anos”, explicou o biólogo e consultor ambiental do IMA, Fillype Quintella.

Segundo Cláudio Sampaio, professor dos cursos de Engenharia de Pesca e Biologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), as principais ameaças a esses peixes são a poluição e a pesca não manejada. “A primeira compromete a qualidade das areias e águas da principal área de lazer dos alagoanos e turistas, enquanto que a segunda inviabiliza o consumo de pescado, devido a raridade e o tamanho cada vez menor dos peixes e preços cada vez maiores”, esclareceu.

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Peixes Mero, Neon e Grama Brasileiro, espécies ameaçadas de extinção encontradas na Piscina do Amor

Para o estudo e a proteção dos peixes, a equipe usou a técnica de foto-identificação. “Esse método utiliza as marcas naturais, incluindo manchas do colorido do peixe que não se repetem, semelhante a impressão digital dos humanos”, afirmou Sampaio.

De acordo com Ricardo César, coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA, a Piscina do Amor tem efeitos diretos na geração de emprego e renda para pescadores, jangadeiros e agências de turismo locais. “Os peixes dessa região, ao saírem naturalmente dessas áreas marinhas protegidas, repovoam as áreas próximas, beneficiando assim os pescadores, além de atrair turistas que buscam nos mergulhos a diversidade de suas cores e formas”, disse.

Os biólogos darão continuidade ao monitoramento dos peixes e, para isso, contam com a parceria do Instituto Meros do Brasil, formado por especialistas que desenvolvem estudos voltados para conservação da espécie, utilizando a educação ambiental e a ampla divulgação da legislação.

Zona de Exclusão

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Técnicos do IMA fazem o monitoramento e fiscalização da Piscina do Amor periodicamente

A Piscina do Amor, uma área de 42 hectares localizada na enseada da Pajuçara, na capital alagoana, tem sido um suporte à reprodução e alimentação da maioria dos organismos marinhos encontrados na região desde junho de 2015, quando o local foi transformado em zona de exclusão para diversos tipos de usos conforme resolução do Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram).

A resolução nº 97/2015 restringe a exploração, explotação e usos diversos, como pesca, turismo, recreação, prática de esportes, tráfego e fundeio de embarcações na área, que tem sido monitorada periodicamente pela equipe do Gerenciamento Costeiro do IMA. Segundo Ricardo César, os técnicos do IMA, em parceria com a Ufal, já fizeram alguns levantamentos da diversidade de espécies noturnas e diurnas e identificaram um aumento considerável de peixes encontrados na Piscina do Amor.

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